quinta-feira, 8 de julho de 2010

Artigo para legislação

Eaê galera, tô postando aqui um artigo que fiz pra matéria de legislação... Não ficou lá essas coisas, maas... :P

Turismo: uma eterna gangorra

O turismo é uma atividade por muitas vezes apresentada como a solução dos problemas econômicos de cidades, regiões ou até mesmo países. Não se pensa, porém, em todos os problemas advindos dessa prática e na dificuldade de manter tudo sob controle, uma vez que a preservação daquilo exposto ao turista é extremamente necessária. Leva-se, então, o artigo 180 da Constituição Federal como uma brincadeira, tratando de coisa séria como se fosse bobagem. Ainda que haja muitos benefícios provenientes do investimento na área, existem também, obviamente, os contras, e é assim que deve ser visto: uma eterna gangorra, a qual sobe de acordo com alguns pontos e desce conforme o peso deles vai se esvaindo.
Os pontos fortes da economia baseada no turismo são vários: o retorno financeiro é bastante rápido se comparado a outras formas de investimento; várias pessoas são envolvidas, gerando emprego; há influência sobre outras indústrias, como a da construção, em sendo os estabelecimentos de hospedagem muito importantes em localidades procuradas por turistas; além do fato de forçar o olhar dos governantes para a preservação do patrimônio natural e cultural das cidades e estados, em virtude de caso caso haja a perda de tal preciosidade, o valor turístico da localidade também é perdido. Vejamos porque: segundo o artigo 216 da constituição, o patrimônio brasileiro implica nos bens de natureza material e imaterial pelos quais pode-se fazer referência à identidade nacional. Isso inclui as formas de expresssão; os modos de criar, fazer e viver; criações científicas, artísticas e tecnológicas; obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico; dentre outras coisas. Se isso, justamente o que o visitante quer ver, não existir mais ou estiver em mau estado, o que haverá de interessante em tal município?
Mesmo os pontos fortes podem facilmente ser transformados em fracos quando se percebem alguns fatores por trás do otimismo exacerbado: o retorno financeiro é rápido, sim, mas para os grandes investidores, como donos de redes hoteleiras já famosas ou empreendedores de grandes estabelecimentos de lazer; os muitos empregos gerados são, em sua maioria, de pagamento e condições de trabalho péssimos, a influência sobre a construção pode ser nociva no sentido de que tira pessoas do campo para ir trabalhar nas grandes construtoras e uma vez que o “boom” imobiliário acaba, eles ficam sem ter para onde ir, sem emprego e sem sustento, e mesmo os governantes, ao invés de tentarem preservar a beleza natural dos lugares, muitas vezes (leia-se na maioria delas) preocupam-se apenas com os tributos oriundos do capital de grandes empresários e, assim, “vendem-se”, entregando terrenos onde sabem que o meio ambiente será prejudicado, mas “que se dane” – eles terão dinheiro no bolso...
E falando em terrenos cedidos pelo governo, onde fica o artigo 225 da constituição? Iniciativas como a do Golfe de Natal são simplesmente abusos contra o meio-ambiente, o qual é de responsabilidade do administração pública, segundo a lei. Ainda nos escritos da constituição lê-se o direito ao meio-ambiente equilibrado, como um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida. Na medida em que a busca capitalista de certos estabelecimentos turísticos pelo lucro supera o interesse em manter a natureza, gradativamente a razão de ser do turismo se acaba, visto que não haverá mais sentido em deslocar-se de um local a outro – todos parecerão iguais, entediantes, sem algo mais a oferecer do que algum comércio imitado de um outro lugar. Entretanto, parece bem óbvia a opinião dos comandantes das empresas (extremamente imediatistas): dinheiro em primeiro lugar, depois vê-se o que se pode fazer sobre qualquer outra coisa.
Infelizmente esta é a real situação do turismo no nosso país – investimentos estrangeiros, interesses mesmo nacionais, mas sem grandes projetos sociais ou ambientais embasando os projetos. Com isso, o crescimento obtido com a atividade é apenas para alguns, causando muito mais problemas do que solucionando-os, como anteriormente foi discutido. A gangorra não pára, a cada dia vai descendo mais e mais, mostrando os podres de uma elite egoísta detentora de todo o poder monetário e político nacional. A suposta “aristocracia” apenas enferruja o desenvolvimento real do país e do nosso povo em geral, retendo tudo de bom trazido pelo trabalho duro de pessoas humildes somente para si. Acredito, pessoalmente, que existam pessoas capazes de mudar essa situação pela qual passamos. Só nos resta esperar pela chegada de tais heróis antes que a gangorra fique abaixada para sempre.

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